A nova geração do samba carioca

O Bairro da Lapa no Rio de Janeiro, que durante muitos anos ficou esquecido da maioria dos boêmios cariocas, deu uma guinada nos últimos anos com a ocupação de bares e casas de show por uma nova geração de sambistas. Eles se misturam aos sambistas antigos e destacam um repertório de clássicos (Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulo Vanzolini, Vinicius de Moraes e Baden Powell, etc...). Um dos expoentes dessa geração é o grupo Casuarina, que surgiu em 2001 e teve seu primeiro disco lançado pela Biscoito Fino. Outro destaque é a cantora Teresa Cristina, comparada por alguns a Clara Nunes. Casuarina e Teresa Cristina (comigo na foto de Paulo Guimarães) se apresentaram nos Grandes Encontros 2006 e antes do show eu bati um papo com eles. Abaixo alguns trechos.
Regis: Teresa você gravou um disco em homenagem a Paulinho da Viola. Eu queria que você comentasse um pouquinho a sua relação com as músicas dele e até com o próprio Paulinho. Você até se emocionou quando o conheceu, né?
Tersa Cristina: Me emocionei não, eu paguei um mico! Eu só chorava, não falava nada, comecei a tremer... Aí eu fiquei com vergonha, ficava fugindo... Fui apresentada pra ele cinco vezes, e cada vez que alguém me apresentava, ele falava “Muito Prazer”, e eu pensava: “Ainda bem que ele esqueceu da minha cara”. (...) O disco foi uma sugestão do diretor da Deck Disc. Eu gravei, o Paulinho gostou da homenagem, foi bacana,... e foi bom pra mim, porque quando eu gravei um disco com as minhas músicas, que foi o disco seguinte, eu já sabia como era entrar num estúdio e gravar, já sabia como era enfrentar esse mercado...porque hoje em dia, um CD é uma mensagem numa garrafa, né? (...) Foi no ano em que o Paulinho completou 60 anos e eu fiquei feliz de fazer parte das homenagens pra ele.
Regis: A maior parte do repertório de vocês é de uma época em que vocês não eram nem nascidos ainda, né? Como vocês chegaram a esse repertório?
Gabriel Azevedo: Esse repertório foi fruto da nossa experiência na noite mesmo. A gente já está há uns 3 anos tocando quase semanalmente... então, foi uma questão de maturar o repertório e ver o que funcionava melhor com o público, e a gente chegou a essas músicas
Tereza Cristina: Tem muitos sambas que não foram gravados, mas a gente fica ouvindo nas rodas. E às vezes você ouve um samba um dia, e não vai ouvir nunca mais, porque o cara foi embora, você não sabe quem é... E tem um samba que o Casuarina gravou, do Aluísio Machado, chamado “Minha Filosofia”, que pra mim é um dos sambas mais lindos do mundo. Eu ouvi esse samba uns 6 anos atrás, em Niterói, por um maluco que morava em Minas, e depois nunca mais ouvi. Pra mim era uma música que tinha morrido. E de repente, você ouve a música de novo gravada, acaba com esse preconceito, esse papo chato de “lá vem esse pessoal de novo com música velha”. Essa música estava batendo asinhas, pedindo pra ser gravada e eles pegaram e gravaram muito bem. Eu me emocionei muito.







